De Marília a Gusttavo: lives bombam no YouTube e arrecadam muito

Cantores de todos os estilos têm apostado no formato durante a quarentena, quebram recordes e ainda arrecadam muito na luta contra a pandemia

A quarentena criou novos paradigmas para a música nacional: com a suspensão de todos eventos que tenham aglomerações, os artistas recorreram às lives para continuar a se apresentar ao vivo (ou quase isso, já que alguns cantores têm recorrido a playbacks também).

E o formato, que foi inaugurado de maneira profissional por Gusttavo Lima no Brasil, virou uma verdadeira batalha de quebras de recordes também.

Se na última semana de março o cantor mineiro comemorava a impressionante marca de 700 mil espectadores online simultâneos no show realizado na sala da enorme casa dele, uma semana depois esse número já era pequeno. 

Quando Jorge e Mateus encheram uma garagem de músicos e convidados para realizar uma live exatamente uma semana depois, chegaram a atingir topo de 3,1 milhões simultâneos (isso sem contabilizar as visualizações de canais 'alternativos', que retransmitem de forma não oficial o show).

Mas essa marca também durou pouco. Na noite de quarta-feira (8), Marília Mendonça colocou 3,2 milhões de pessoas para observá-la cantar acompanhada de instrumentos pré-gravados na sala de casa. Marília praticamente fechou a cortina de casa, puxou uma cadeira (ou seria um trono?) e fez história.

Claro que essa marca pode ser superada de novo, já que Gusttavo Lima prepara mais uma live e, dessa vez, a audiência deverá ser maior, já que a divulgação também é.

De qualquer maneira, na música brasileira da atualiade, só Anitta, Zé Neto e Cristiano, Wesley Safadão e Henrique e Juliano têm condições de superar essas marcas. Porém, qualquer recorde que vier a ser atingido, deverá ficar na mão do sertanejo, pois a Poderosa já anunciou que não fará lives durante a quarentena.

Os números, recordes e feitos atingidos por esses projetos expõem diversas realidades. A primeira é a que comprova como o brasileiro é fiel aos astros locais. Esses feitos superam, de longe, o que Beyoncé já conseguiu com uma live no YouTube durante o Coachella de 2018, por exemplo. 

A segunda realidade é da dominação do sertanejo na música nacional. Mesmo com a ameaça do funk e do pop (dois estilos que cresceram muito nos últimos cinco anos), o segmento ainda está muito à frente, seja em alcance, fama ou verba para produção.

Afinal, apesar dos shows serem feitos nas casas dos cantores, eles contam com recursos impensáveis para outros músicos, como captação de imagens por drone (caso de Gusttavo Lima) e a produção de show digna de um evento de pequeno porte (como foi visto na live de Jorge e Mateus).

Recursos arrecadados e merchan

Os shows também têm tido dois outros objetivos. Se por um lado com essas lives muitas toneladas de alimentos e doações em dinheiro têm sido conquistadas, por outro serve também para os músicos criarem parcerias de patrocínio com marcas, principalmente na área de bebidas alcoólicas.

Afinal, os shows em casa são quase sempre realizados com os cantores tomando um drinque enquanto cantam, suam, choram, esquecem as letras e recebem parentes no "palco".

Gusttavo Lima passou as cinco horas de apresentação bebericando cerveja e uísque. A marca do destilado ele não exaltou, mas a de cerveja era sempre citada quando o balde era trocado pelo garçom. Mesmo caso de Jorge e Mateus, que deixaram uma geladeira da bebida patrocinadora ao lado deles durante toda transmissão.

As ações, além de ajudar na realização dos shows, também garantem lucro para os artistas nesse momento de mercado parado.

E ao mesmo que promovem as bebidas, as ações garantiram doações para os desassistidos durante a quarentena. Gusttavo Lima declarou que a live dele arrecadou 50 toneladas de alimentos e materiais de higiene.

Jorge e Mateus arrecadaram 216 toneladas. Marília, 225 toneladas. Já Xand Avião, que fez live menos badalada, apesar de público quase igual ao de Gusttavo Lima, declarou arrecadação de 457 toneladas de alimentos. Fora isso, quantias em dinheiro também foram recebidas.

Esse poder de influência de artistas brasileiros poderá ser melhor analisado depois da realização do One World: Together At Home (Um Mundo: Juntos em Casa), evento internacional organizado pela OMS e a Instituição Global Citizen e que reunirá nomes como Lady Gaga, Elton John, Paul McCartney, Stevie Wonder, Billie Eillish, Eddie Vedder e Maluma.

Pode ser que os brasileiros percam seus recordes com o projeto, mas mesmo que isso ocorra, o que eles conseguiram sozinhos e apenas com os próprios escritórios por trás, já foi histórico tanto para o mercado musical quanto no histórico de ações beneficentes no país.

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